Autora: Dra. Wilma Costa Souza

Introdução

A cura pelo som tem sido utilizada há séculos em diferentes culturas. Enquanto tribos aborígenes australianas usavam o som para cura, os monges tibetanos usavam taças sonoras para fins religiosos e espirituais1.  Há mais de 30 anos na Alemanha, Peter Hess, engenheiro físico e pedagogo, desenvolveu um método terapêutico, utilizando taças sonoras com objetivo de promover relaxamento profundo e regenerador, harmonizando frequências e ritmos naturais do corpo. A MSPH promove estímulos vibro-acústicos que atravessam a pele e demais tecidos, alcançando os ossos. Outros efeitos incluem aliviar tensões, ansiedade e estresse, além de estabilizar os batimentos cardíacos levando a uma sensação de relaxamento2.

A Doença de Parkinson (DP) é uma doença crônica, degenerativa e de etiologia idiopática e, segundo alguns estudos, afeta cerca de 4 milhões de pessoas no mundo3. Os sintomas característicos da doença foram descritos por James Parkinson em 1817 e são: tremor de repouso, hipertonia plástica, instabilidade postural e bradicinesia. Outros sintomas incluem falta de expressão facial, alteração da deglutição e marcha de passos curtos. Com a evolução da doença pode ocorrer declínio cognitivo, especialmente da função executiva e da atenção4. Alterações da mobilidade levam a diminuição da independência funcional, contribuem para o isolamento social e podem promover importantes alterações emocionais5

O objetivo do presente estudo foi verificar o efeito da MSPH em pacientes com DP em relação à melhora nas atividades da vida diária, a auto percepção de estresse e aos níveis de ansiedade. 

Materiais e Métodos 

Trata-se de um estudo brasileiro, realizado pela Academia Peter Hess, em pacientes com DP, em tratamento na Associação Parkinson Carioca (APC). A Associação oferece gratuitamente diferentes tratamentos como fisioterapia e dança, além de se constituir em centro de convivência e acolhida para pacientes, familiares e cuidadores.  Os pacientes foram atendidos com a MSPH, em sala própria da associação, por três terapeutas especialistas no método. Os atendimentos ocorreram no período de abril a julho de 2018, uma vez por semana, durante 30 minutos, perfazendo um total de 10 sessões.   

As avaliações pré e pós-tratamento foram realizadas através do Índice de Barthel6, da Escala de Estresse percebido7 e do Inventário de Ansiedade de Beck8.    

Inicialmente foi aplicado o Índice de Barthel (IB) que é uma escala ordinal com o objetivo de mensurar o desempenho em atividades da vida diária (AVDs) englobando o cuidado pessoal, mobilidade locomoção e eliminações vesicais. Sua pontuação máxima é 100, o que indica independência nas AVDs. A seguir aplicou-se Escala de Estresse Percebido (EEP) que apresenta 14 itens com respostas que variam de 0 (nunca) a 4 (sempre). A pontuação máxima varia de 0 a 56 e as respostas devem se referir ao mês anterior. Finalmente foram mensurados os níveis de estresse através do Inventário de Ansiedade de Beck (IAB) que apresenta 21 questões sobre como o indivíduo se sentia na última semana. As respostas podem variar de 0 (absolutamente não) a 3 (dificilmente pude suporta), com pontuação máxima de 63.    

Resultados e Discussão

Participaram do estudo 9 pacientes, 4 do gênero masculino e 5 do gênero masculino. As idades variaram de 52 a 74 anos, média de 63,67 ± 6,65 anos. O tempo de doença variou de  2 a 16 anos, média 7,7 ± 4,5 anos. Todos os participantes estavam entre os e estágios 1 (doença unilateral) e 3 (doença bilateral, com capacidade de vida independente) na Escala de Hoehn e Yahr9

Os dados obtidos foram analisados através do Teste T- pareado, admitindo-se um nível de significância p≤ 0,05. Houve diferença significativa apenas quanto às pontuações totais do IB antes e depois (p=0,02) evidenciando uma melhora na realização das AVDs.   

As pontuações pré e pós do ESP e IAB são mostradas na figura 1. 

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                         Figura 1: Resultados do Estresse percebido e da 

                                          ansiedade pré e pós tratamento 

Conforme se observa na tabela 1, os níveis de estresse percebido e de ansiedade diminuíram pós-tratamento. A DP é degenerativa e crônica, e por essa razão, é provável que um maior número de sessões de MSPH pudesse promover resultados com significância estatística.  A pequena amostra é também um fator a ser considerado.

Não foram encontrados na literatura estudos publicados em revistas indexadas utilizando a MSPH em grupos de pacientes. Sugerem-se mais estudos nessa área. 

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*Artigo publicado originalmente em alemão, na revista anual da Associação Europeia de Massagem de Som e Terapia: Klang-Massage-Therapie,  Organ des Europäischen Fachverbands Klang-Massage-Therapie e.V., Bruchhausen-Vilsen 13/2018, pág. 74-75.

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Dra. Wilma Costa Souza, Fisioterapeuta, MsC, Ph.D., docente do curso de Fisioterapia da Universidade Castelo Branco, responsável pelo estágio supervisionado em Fisioterapia Neurofuncional do Centro Municipal de Reabilitação do Engenho de Dentro / CMR-ED e Presidente da Associação Parkinson Carioca.

e-mail: wilmacosta@fisioscience.com.br

Referências

  1. Goldsby TL, Goldsby ME, McWalters BA, Mills PJ. Effects of singing bowls sound meditation on mood, tension, and well-being: an observational study. J Evidenced-based Complementary and Alternative Medicine. 2016, 1-6. 
  1. O que é massagem de som de Peter Hess. Em: https://www.academiapeterhess.com.br/massagem-de-som-metodo-peter-hess/o-que-e/. Acessado em 09/09/2018. 
  1. Dibble LE, Cavanaugh JT, Earhart GM, Ellis TD, Ford MP, Foreman KB. Charting the progression of disability in Parkinson Disease: study protocol for a prospective longitudinal cohort study. BMC Neurology. 2010 (10): 110-119.
  1.  LS, Khaw T, Luben R, Bingham S, Welch A, Day N, Brayne C. Self-reported parkinsonian symptoms in the EPIC-Norfolk cohort. BMC Neurology. 2005, (5): 15- 29.     
  1. Blonder LX, Slevin JT. Emotional dysfunction in Parkinson’s disease. 2011, (24): 201-217.
  1. Mahoney FI, Barthel D.  Functional evaluation: Barthel Index. Maryland State Med J. 1965; 14: 56-61.
  1. Cohen S, Kamarck T, Mermelstein R. A global measure of perceived stress. Journal of Health and Social Behavior. 1983, (24): 385-396.
  1. Beck AT, Epstein N, Brown G, Steer RA. An inventory for measuring clinical anxiety: Psychometric properties. Journal of Consulting and Clinical Psychology. 1988, 56: 893–897.
  1. Clarke CE, Patel S, Ives N, et al.; on behalf of the PD REHAB Collaborative Group. Clinical effectiveness and cost-effectiveness of physiotherapy and occupational therapy versus no therapy in mild to moderate Parkinson’s disease: a large pragmatic randomised controlled trial (PD REHAB). Health Technology Assessment. 2016, 20.63.
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